
De cola para materiais artísticos à fotografia, industria farmacêutica, cosmética e biomédica. A gelatina tem uma história muito antiga. Hoje é uma sobremesa muito popular, mas já foi alimento só da aristocracia. Mas uma coisa é certa; não é de hoje que sabemos da riqueza nutricional desse ingrediente.
A proteína da gelatina contém 18 aminoácidos, incluindo oito dos nove aminoácidos essenciais para o corpo humano, ou seja, aqueles que nosso corpo não produz.
Glicina, prolina e hidroxiprolina são as mais comuns, constituindo cerca de metade do conteúdo dos aminoácidos.
Outros incluem alanina, arginina, ácido aspártico e ácido glutâmico.
O nome gelatina deriva do latim “gelare” e significa gelificar.
Há indícios de que os humanos pré históricos já usavam a gelatina fervendo peles e ossos dos animais. Essa versão primitiva era usada para colar roupas e ferramentas.
Na idade média, o colágeno extraído de peles e ossos de animais foi amplamente usado como cola para encadernar manuscritos e no restauro de obras de arte. Ainda nos dias de hoje muitos encadernadores de livros tem como adesivo preferido a cola feita de colágeno animal.
Mas foram os antigos egípcios que descobriram que os caldos à base de ossos, quando resfriados, se solidificavam em um gel comestível. E essa foi provavelmente a primeira vez que a gelatina foi intencionalmente produzida como alimento, por meio de uma forma inicial de hidrólise parcial do colágeno. Sabemos dos benefícios dos caldos de pés de frango ou dos caldos de ossos, tão em moda hoje em dia, na busca da suplementação do colágeno.
Ainda na Idade Média, caldos ricos em gelatina feitos de chifres de veado ou pés de bezerros eram recomendados por seus benefícios da saúde das articulações.
Extratos gelatinosos, subtraídos do cozimento de várias carnes, eram frequentemente adoçados e aromatizados, tornando-se populares como sobremesas. Esse processo era trabalhoso e normalmente reservado à aristocracia.
Até Napoleão ficou encantado com os usos desse ingrediente e no inicio de 1800, encomendou pesquisas sobre o potencial da gelatina como fonte alternativa de proteína para soldados em um cenário de escassez de carne.
Aliás foi um chef francês, Antoine Carême, que popularizou a técnica medieval aspic de conservar alimentos na gelatina. Ele chamou de chaudfroid (quente-frio), pratos quentes a base de carnes, servidos frios envoltos em gelatina.
A moda dos aspics caiu nos anos 1970/1980, sendo hoje vista como uma curiosidade histórica culinária. A gelatina ainda é muito usada na culinária, mas hoje em dia mais no preparo de sobremesas.
Após a Segunda Guerra Mundial, com a popularização da geladeira e marcas como Jell-O, detentor da patente industrial para fins comestíveis, a gelatina, agora adoçada, colorida e aromatizada caiu no gosto popular, e não há casa que não tenha uma caixinha guardada no fundo de um armário.
Barata, rápida e prática; a gelatina virou sinônimo de sobremesa saudável, sendo ofertada até mesmo no leito de pacientes hospitalizados.
Será mesmo que é saudável? Só se isolar o colágeno, a única porção boa. De resto sobra corantes, muito açúcar e aromatizantes para disfarçar o cheiro.
A boa notícia é que é possível sim fazer uma gelatina saudável de verdade! Sem os tais corantes e aromatizantes. E usando açúcar com parcimônia, do jeito que deve ser usado, e com sabores naturais, usando ingredientes ricos em vitaminas.
Como essa gelatina caseira, feita com frutas ricas em antioxidantes . Eu usei amora e mirtilos. Mas pode ser com açaí, jabuticaba ou suco de uva concentrado, todos muito ricos em antioxidantes.
Antioxidantes são substâncias (vitaminas, minerais, compostos vegetais) que combatem os radicais livres: moléculas instáveis que causam estresse oxidativo, envelhecimento precoce e doenças como câncer e problemas cardíacos.
No geral, todos os alimentos de cor roxa tem muito antioxidante.
Essa gelatina fica com uma consistência de goiabada mole, pois não é como as gelatinas industrializadas que são praticamente água com sabor… Aqui nós temos suco de fruta de verdade, então a consistência muda.
E aí? Vamos fazer gelatina saudável?
Ingredientes:
- 1 pacotinho de gelatina incolor e sem sabor
- 1 pacotinho de polpa de amora congelada
- 1 caixinha de mirtilos
- 1/2 xícara de chá de açúcar ou adoçante Estévia a gosto
- 500ml de água
Modo de preparo:
- Bata as frutas com a água e o açúcar no liquidificador
- Coe numa peneira e remova com uma colher qualquer espuma que se formar
- Hidrate a gelatina em 3 colheres de sopa de água. Aqueça no microondas por 20 segundos ou em banho maria
- Adicione a gelatina reidratada ao suco de frutas. Misture bem.
- Despeje em ramequins, copos ou taças de sobremesa
- Leve para gelar por pelo menos 3 horas
Rende 4 porções
